Ao longo dos seus 80 anos de existência, o Instituto Nacional de Câncer José Alencar
Gomes da Silva (INCA)/Ministério da Saúde (MS) faz parte da história da oncologia e
da saúde pública no Brasil, atuando na formulação da política nacional de prevenção e
controle do câncer. Para esse campo de desempenho, as ações demandam variados graus
de complexidade, sendo necessária a participação de recursos humanos com formação em
diversas áreas do conhecimento, em especial da epidemiologia, estatística, informação em
saúde, planejamento e gestão.
A prevenção e controle dessa doença em nosso país – de dimensões continentais e
fortes diferenças regionais por abrigar uma população de comportamentos, crenças e atitudes
de modo bem diversificado – representa, atualmente, um dos grandes desafios que a saúde
pública enfrenta. A descrição da distribuição dos tipos mais incidentes de câncer, por meio do
tempo, tem sido uma das principais estratégias para o estabelecimento de diretrizes em políticas
públicas e, principalmente, para o planejamento de ações de prevenção e controle do câncer.
O registro nacional de câncer é um desafio para países em desenvolvimento,
especialmente para o Brasil com suas dimensões continentais. A estratégia tem sido manter
e fortalecer centros de informação (Registros de Câncer de Base Populacional e Hospitalares
– RCBP/RHC) que permitam monitorar a situação do câncer como parâmetro para todo
o país; e ainda, dentro dessa lógica, por meio das estimativas de câncer, seja possível obter
informações atualizadas e aplicáveis às necessidades estratégicas do país.
Nesse sentido, o Brasil produz as estimativas para a incidência de câncer desde 1995,
com aprimoramento metodológico constante para o seu cálculo, a partir da melhoria da
quantidade, qualidade e da atualidade das informações dos RCBP, dos RHC e do Sistema de
Informações sobre mortalidade (SIM). Em 2016, a partir de uma reunião técnica, que contou
com a participação de profissionais das áreas de gestão, epidemiologia e estatística, o INCA
incorporou a sugestão de incluir na estimativa a correção do sub-registro por causas mal
definidas. Além disso, pela primeira vez, apresenta também a estimativa das taxas ajustadas
de incidência de câncer.
Apesar dos desafios enfrentados, existe, nos cenários nacional e mundial, o
reconhecimento de que nosso país se situa entre os que mais têm avançado na consolidação
de um sistema integrado de vigilância de informações sobre câncer, tendo inclusive, nesse
campo, contribuído com as experiências exitosas sobre as estimativas na região das Américas
e no contexto mundial.
Assim, é com grande satisfação que apresentamos, mais uma vez, as Estimativas de
Incidência de Câncer, nesta edição, para o biênio 2018-2019, produzidas pela Divisão de
Vigilância e Análise de Situação da Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev) do
INCA/MS. Esta edição representa mais uma ferramenta importante para o desenvolvimento
do sistema de vigilância do câncer no país, onde o grande desafio é colocar em prática o
uso dessas informações e o conhecimento da realidade do país, para que as necessidades da
população sejam de fato priorizadas e atendidas pelo setor público.
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva.

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